sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

A Mamma, o Monstro e as possíveis explicações para o título deste blog

Na minha vida tem sido assim. Os títulos chegam primeiro. Os textos propriamente ditos sempre demoram mais um pouquinho. Não raro, chegam de madrugada, na calada da noite, da casa, quando já não adianta mais apagar a luz, pensando em deixá-los para o dia seguinte. O dead line acabou, já não dá mais para dormir. A essa altura o texto, indócil, se recusa a contar carneirinhos.

Não foi diferente com o título de mãe. Nem poderia. Êta texto mais cheio de revisão, sô! Basta achar que "já sei", "já entendi", "já vi" e vlapt. Lá se vai o chão que outrora amparava as minhas pantufas! Há pouco mais de 2 anos, venho nutrindo na minha imaginação pouco menos de uma dezena de projetos de escrever sobre a maternidade. Todos eles já roliços, cheios de dobrinhas e bilu-bilus, mas esperando pelas primeiras linhas para tomar forma, ganhar vida, sair do papel. Após inúmeras tentativas de auto-sabotagem-abortiva, este blog vem dar à luz alguns posts terapêuticos e despretensiosos sobre minha porção mais integral, a de mãe da Coral.

Por que A Mamma e o Monstro? É simples: são minhas duas caras metade pós-parto. Ou, quem sabe, desde sempre. A Mamma é uma entidade generosa, calmante, acolhedora, zelosa e peituda que vem aqui em casa sempre às terças e sextas. Pelo menos, é quando ela diz que vem. O monstro, bem, o monstro tá sempre por perto. É um sujeito mandão, insatisfeito, ressentido, dono da razão e mestre na arte de entrar na briga só pra ganhar a discussão. Ah, nisso ele é imbatível...

A Coral já foi apresentada aos dois personagens que me habitam e se revezam nesse plantão eterno da maternidade. Quando um sai de cena, o outro invariavelmente aparece. Nos menores detalhes como o timbre doce ou trincado da voz ou ainda, mais sutil, como a energia que emprego a um pensamento. O da Mamma costuma vir em forma de oração, já o do Monstro é mais ou menos assim: "ou você colabora com a mamãe pra trocar logo a fralda e acabar com esse tormento ou vamos ficar aqui mais 500 anos só pra ficar bem claro quem é que manda nesta casa".

Um dia, vivi a ilusão de que ser Monstro bastaria. Que a autoridade tudo me daria, do que eu quisesse ter. Que nada... Minha porção Mamma que até estão se resguardara é a porção melhor que trago em mim agora. É que me faz viver.

Quando recebi a Coral das mãos da obstetra, ainda toda lambuzada, e a tive no colo pela primeira vez, eu disse baixinho: "Seja bem-vinda". E é esta a minha saudação extensiva a todos que baterem à porta deste blog.

Ufa, nasceu!